Quem nunca ouviu a música do Ultraje a Rigor, banda de rock brasileiro que fez sucesso nos anos 80? Aquela do " Pelado, pelado, nú com a mão no bolso"? Eu ouvi milhares de vezes. E nunca cansei de imaginar a cena da pessoa peladona, lá com pingolin ou titis balançando no meio da multidão vestida. Imagem no mínimo peculiar, certamente o cara é louco pensam muitos. Piroqueou, pensam outros. Se for mulher, certo que é safadeza, pensam todos. O país tropical reconhecido pelo biquíni-inho e das mulatas seminuas (para não dizer nuas) tem um certo (ou todo) pudor com a prática do naturalismo, do topless, do contato, digamos mais livre com a natureza, sem as amarras roupísticas da sociedade ditatorial. E eu, claro como boa brasileira não fujo a regra e ainda acho estranhíssimo quando vejo um Lemom assim, mais pele ou pelo do que roupa.

Sim, porque aqui é muito natural você trocar de roupa no meio do povo, geralmente nas piscinas públicas e parques por exemplo. Como muito bem fala o Deutsche Welle nessa reportagem aqui. A questão está tão enraizada na cultura germânica que gostaria de saber o que pensaram os turistas alemães presos por tirar a roupa no aeroporto de Salvador em 2009. Presos por ato obsceno. Ué, mas o Brasil não é o país da libertinagem, como pode os brasileiros ficarem chocados ou chamar de obsceno algo tão normal e cotidiano como a nudez? Não sei. Só sei que é assim.
Essa blablablá todo é só para contar uma coisa para vocês. Na nossa nova moradia temos uma vizinha peladona. Sim, vive pelada, nua, naked, la naturale ou seja: anda completamente sem roupa, nem uma pecinha para contar a história. A descobrimos no último domingo quando estávamos felizes tomando um chimarrão na cozinha, com cara de olhando a paisagem quando aparece a dita cuja na sacada. Peladona, para regar as flores. Os dois grandes amiguinhos (farol alto e farol baixo) quase nós disseram um hallo! Bem, e embaixo digamos, uma quase floresta Amazônica. E ela foi e voltou,foi e voltou, feliz, cuidando das plantinhas, (dizem que elas crescem melhores se você manter um BOM contato com elas), e o marido ao lado, curtindo a cof, cof ... vibe... E nós? Nós nos entreolhamos e rimos muuuiitooo. Coisas da Alemanha, genau...
PS: Aos amigos que estão para nos visitar (e aí Leusin, Marco Antonio e companhia), estamos cobrando ingresso pela vista da janela da cozinha. Mas o pouso é free!
PS 2: Achei esse vídeo aqui ,em alemão, que fala sobre o tema. Para quem tiver interesse, tá na mão!



